No dia 5 de setembro assinala-se o Dia Internacional das Lesões da Coluna Vertebral, uma oportunidade para sensibilizar para lesões que podem ter consequências profundas na mobilidade, autonomia e qualidade de vida.

A coluna vertebral tem, entre outras funções, a importante missão de proteger a medula espinhal, uma das principais vias de comunicação entre o cérebro e o resto do corpo.

Um traumatismo da coluna vertebral pode provocar lesões das vértebras, discos, ligamentos e outras estruturas sem que exista necessariamente atingimento da medula. No entanto, quando uma lesão da coluna compromete a medula espinhal, podem surgir alterações neurológicas com consequências permanentes. Muitas destas lesões têm origem traumática e, por isso, a prevenção assume um papel fundamental.

O que nos dizem os números em Portugal?

Os dados mais recentes disponíveis permitem conhecer melhor a realidade das lesões traumáticas vertebromedulares no nosso país. Um estudo desenvolvido pela Escola de Medicina da Universidade do Minho analisou os casos registados nos hospitais públicos portugueses entre agosto de 2020 e julho de 2023. Durante estes três anos foram identificados 679 novos casos de lesão traumática vertebromedular, correspondendo a uma incidência de 21,9 casos por milhão de habitantes.

As quedas foram responsáveis por 60,1% dos casos, constituindo a principal causa identificada, enquanto os acidentes de viação representaram 24,9%. Os homens representaram 74,7% das pessoas afetadas. Estes números mostram também uma realidade importante: as lesões traumáticas da coluna vertebral e da medula não acontecem apenas em pessoas jovens ou na sequência de acidentes rodoviários de grande violência. As quedas assumem hoje um peso muito significativo, particularmente numa população progressivamente mais envelhecida. Mas existe outro mecanismo de lesão que merece especial atenção, sobretudo entre os mais jovens: os acidentes de mergulho.

Em Portugal, estima-se que cerca de 100 pessoas por ano sofram lesões da coluna vertebral associadas a acidentes de mergulho. São acidentes que podem acontecer num instante e provocar consequências para toda a vida.

Perante estes números, prevenir não é apenas aconselhável. É essencial!

Prevenir continua a ser a melhor estratégia

A prevenção continua a ser a forma mais eficaz de reduzir o número de lesões traumáticas da coluna vertebral. Pequenas atitudes no quotidiano podem fazer toda a diferença.

Na estrada

Os acidentes de viação continuam a representar uma importante causa de traumatismos graves da coluna vertebral. Cumprir as regras de segurança rodoviária, respeitar os limites de velocidade e utilizar sempre o cinto de segurança são medidas fundamentais.

Nos motociclos e bicicletas, o capacete deve ser sempre utilizado.

O telemóvel não deve ser utilizado durante a condução. O álcool e outras substâncias que alterem a atenção, o tempo de reação e a capacidade de avaliar o risco são incompatíveis com uma condução segura.

Na estrada, prevenir um acidente pode significar prevenir uma lesão para toda a vida.

Mergulhos — um risco particularmente importante nos mais jovens

Com a chegada do verão, os acidentes associados aos mergulhos merecem uma atenção especial.

Um mergulho de cabeça em águas pouco profundas pode provocar um traumatismo grave da coluna cervical. Quando existe atingimento da medula espinhal, as consequências podem ser irreversíveis.

A regra é simples:

Nunca mergulhe de cabeça em locais desconhecidos, sem saber a profundidade da água.

Devem evitar-se mergulhos em águas rasas, em zonas desconhecidas, com pouca visibilidade ou onde possam existir rochas ou outros obstáculos submersos. No mar, sobretudo quando não se conhece o local, deve entrar-se na água de forma progressiva. Nas piscinas, devem utilizar-se apenas os locais destinados ao mergulho e respeitar-se todas as indicações de segurança.

O consumo de bebidas alcoólicas ou de outras substâncias que alterem a capacidade de avaliar o risco deve ser sempre evitado antes de mergulhar.

Um mergulho dura segundos. As suas consequências podem durar uma vida.

Prevenir quedas

Os números portugueses mostram que as quedas merecem uma atenção particular, constituindo atualmente a principal causa de lesão traumática vertebromedular identificada no nosso país.

O risco torna-se especialmente relevante com o envelhecimento. Alterações do equilíbrio, diminuição da força muscular, problemas de visão, alguns medicamentos e diferentes condições de saúde podem aumentar a probabilidade de queda.

Quando existe osteoporose, a diminuição da densidade óssea aumenta ainda o risco de fratura.

Muitas quedas acontecem dentro da própria casa e podem ser prevenidas através de medidas relativamente simples. Tais como:

  • Retirar tapetes soltos;
  • Eliminar obstáculos das zonas de passagem;
  • Melhorar a iluminação;
  • Instalar barras de apoio quando necessárias;
  • Substituir a banheira por uma base de duche.

São alguns exemplos de alterações que podem tornar o ambiente doméstico mais seguro Deve também evitar-se subir para bancos, cadeiras ou móveis para alcançar objetos colocados em altura.

Em ambientes rurais, as quedas de altura também não devem ser desvalorizadas. Subir a árvores, por exemplo, pode representar um risco importante, particularmente nas pessoas mais velhas.

Quando existe instabilidade da marcha, a utilização de um produto de apoio adequado, como uma bengala ou um andarilho, deve ser incentivada. A sua utilização não representa uma perda de autonomia: pode ser precisamente aquilo que permite mantê-la com maior segurança.

Escadas e degraus merecem igualmente atenção redobrada, sobretudo quando não existem corrimãos adequados ou quando a iluminação é insuficiente.

Prevenir uma queda pode significar prevenir uma fratura da coluna e, em situações mais graves, uma lesão da medula espinhal.

Manter a coluna em movimento

A prevenção não passa apenas por evitar acidentes. Manter uma vida ativa é um dos melhores investimentos na saúde da sua coluna.

A prática regular de exercício físico, adequada à idade e à condição física de cada pessoa, contribui para o fortalecimento muscular global, manutenção da mobilidade das articulações, equilíbrio e a capacidade funcional, assumindo particular importância com o envelhecimento e contribuindo para a prevenção de quedas e manutenção da autonomia.

Neste Dia Internacional das Lesões da Coluna Vertebral, fica uma mensagem que começa muito antes da reabilitação: muitos destes traumatismos podem ser prevenidos através de comportamentos simples no nosso quotidiano.

Olhe pela sua coluna. Protege-a!

Referências

  1. International Spinal Cord Society (ISCoS). World Spinal Cord Injury Day. Informação e iniciativas internacionais de sensibilização para a lesão medular. https://www.iscos.org.uk/page/SciDay
  2. World Health Organization (WHO). Spinal cord injury. Fact sheet. Atualização de 16 de abril de 2024. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/spinal-cord-injury
  3. Escola de Medicina da Universidade do Minho. Dados epidemiológicos nacionais sobre lesões traumáticas vertebromedulares em Portugal, relativos ao período entre agosto de 2020 e julho de 2023.
  4. Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT). Campanha “Olhe pelas Suas Costas” alerta para alta incidência de lesões traumáticas vertebromedulares em Portugal. 2024. https://spot.pt/campanha-olhe-pelas-suas-costas-alerta-para-alta-incidencia-de-lesoes-traumaticas-vertebro-medulares-em-portugal/
  5. Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV). Campanhas nacionais de prevenção de lesões da coluna associadas a acidentes de mergulho e sensibilização para comportamentos seguros em praias e piscinas. https://sppcv.org/press-releases/mergulhos-mal-calculados-continuam-a-preocupar-medicos-e-a-afetar-jovens

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